Ad Blockers: Para que servem? Como funcionam?

Ad Blockers: Para que servem? Como funcionam?

O termo ad blockers continua nas bocas do mundo. E faz todo o sentido.

Em dezembro de 2016, 11% da população mundial era utilizadora de ad blockers e mais de 600 milhões de dispositivos contavam com softwares de ad blocking, sendo 62% dispositivos móveis, de acordo com os dados mais recentes da Page Fair.
Feitas as contas, a utilização de softwares de ad blocking cresceu 30% entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016 e estima-se que possa custar até 35 mil milhões de dólares aos media até 2020, segundo as previsões da Ovum, unidade de reaserch da Informa Group.

Mas o que são os ad blockers? O que significam para os media e outras publicações? E para a Internet?
 

Ad blockers: o que são?

 
O software de ad blocking tem um objetivo  concreto: bloquear ou alterar os conteúdos publicitários alojados nos websites através da utilização de plugins ou extensões para browsers.
E não só. Widgets direcionados para redes sociais ou códigos de acompanhamento também podem fazer parte do pacote.
O conteúdo bloqueado ou alterado varia consoante a aplicação utilizada.

Mas desengane-se. Estes softwares não bloqueiam nada por default. Na realidade, o processo pode acontecer de duas maneiras:

  • Ÿo software escolhido analisa o website, confrontando os conteúdos com várias blacklists e bloqueando o carregamento dos conteúdos que não preenchem os requisitos;
  • Ÿdepois de carregada, o software analisa a página e bloqueia os conteúdos que correspondem a certos parâmetros, como, por exemplo, imagens com dimensões padronizadas ou textos onde figura a palavra “sponsored”.
Nos últimos dois anos, o termo ad block foi um dos mais discutidos na indústria dos media digitais, contribuindo para uma maior conscientização junto dos utilizadores.
 

Porque é que os utilizadores recorrem aos ad blockers?

 
Correndo o risco de simplificar uma questão já de si complicada, a maior parte dos utilizadores aponta duas grandes razões quando o assunto é ad blockers: preocupações com a sua segurança, através da exposição a vírus/malwares, e a natureza intrusiva de alguns anúncios.
Mas não só. Podem ser ainda invocados argumentos como o agravamento do desempenho das páginas e da experiência do utilizador, a existência de demasiados anúncios e reservas em relação à sua privacidade.
 

Quais são as vantagens dos ad blockers?

 
As mais-valias da utilização de um ad blocker não se cingem ao bloqueio dos anúncios na web. Na verdade, há muitos outros argumentos:
 

Desempenho: a maior parte das páginas da web tem programas de analytics, plugins, tags e anúncios integrados, o que torna a navegação muito mais lenta. Ao utilizarem ad blockers, estes elementos são bloqueados, tornando o carregamento da página mais rápido e reduzindo os alertas indesejados.

Privacidade: os websites recolhem informações sobre o comportamento dos utilizadores, o que limita a sua privacidade. Os ad blockers não permitem que sejam recolhidos dados, deixando o utilizador disponível para navegar sem ser identificado.

Segurança: a maior parte dos anúncios online está inserido no ecossistema de banners. Este sistema permitiu a utilização de ficheiros JavaScript e Flash de terceiros. O problema é que estes ficheiros permitem a utilização de código malicioso, o que faz com que muitos utilizadores sejam infetados com vírus e malware.

Expericência do utilizador: o formato dos anúncios evoluiu muito nos últimos anos, tornando-se extremamente intrusivo. Isto acaba por irritar o utilizador, distraindo-o do conteúdo que lhe interessa. A utilização de ad blockers bloqueia estes anúncios, melhorando a experiência do utilizador.

 

Publicações e marketers são quem mais perde

 
A grande conclusão a retirar? O problema não está necessariamente nos anúncios, mas na forma como são apresentados. Na verdade, a grande frustração dos utilizadores é motivada pelo caráter intrusivo de certos anúncios.
E os ad blockers são uma mais-valia para os utilizadores. Contudo, podem ser muito prejudiciais para as grandes publicações e produtores de conteúdos que povoam a world wide web.

Mas porquê?

Quando os anúncios são bloqueados, os websites onde os anúncios estão alojados e os seus clientes perdem potencial de receitas. E estas perdas têm sido elevadas.
Mas o anunciante não pagou pelo alojamento do anúncio? Não necessariamente. Na verdade, os anunciantes só pagam por anúncio visualizado. Isto que significa que se o utilizador usar um ad blocker não visualizará a publicidade e a publicação perde dinheiro.

Não são só as publicações que perdem dinheiro, também os marketers são penalizados pelos ad blockers. Atualmente, a maior parte das páginas web utilizam códigos de acompanhamento para registar a “viagem do consumidor”. Com a utilização de ad blockers, todas estas informações perdem-se. Os marketers não têm grandes referências sobre os seus utilizadores, não conseguindo ajustar os conteúdos e as ofertas ao público-alvo.
 

Isto não significa que a publicidade online tenha morte anunciada.

É a publicidade que sustenta os projetos online gratuitos, onde a atenção do utilizador é o que está a ser comprado e vendido.

A solução para este problema passa por criar formatos de anúncios que sejam mais envolventes e tenham um caráter utilitário, deixando de ser tão intrusivos.

O conteúdo patrocinado ou os anúncios first-party são alguns exemplos, soluções que vamos abordar num próximo artigo sobre como as empresas podem lidar com os ad blockers.

 
Imagem por Andreia Dias

Andreia Dias
Conheça o autor / Andreia Dias

<p>Produtora e gestora de conteúdos da Webtexto, especializada em produção gráfica.</p>