A importância do e-commerce para o futuro dos negócios

A importância do e-commerce para o futuro dos negócios

Se o e-commerce era uma ideia que estava nos planos das empresas portuguesas, neste momento muitas já devem estar a passar dos planos à ação. Principais motivos: pandemia, COVID-19 e confinamento. Que o digam os restaurantes − forçados a trabalhar com serviço de take away −, as mercearias com as entregas ao domicílio ou as lojas de roupa  − obrigadas a fechar totalmente os seus estabelecimentos. Estes foram apenas alguns dos casos mais visíveis, mas vieram mostrar como o e-commerce é um caminho a seguir. 

Porém, será esta uma alternativa que serve para todos, quando já lemos notícias que é possível comprar um carro sem sair de casa? E basta abrir um canal de vendas online? É isso que pretendemos analisar. Vamos lançar este e outros artigos para aprofundar a importância do e-commerce para o futuro dos negócios, colocando um foco importante na área dos conteúdos − tão críticos no universo digital para garantir projetos bem-sucedidos.

O futuro está no e-commerce

Quando falamos de uma estratégia de comércio eletrónico, falamos apenas na criação de um website e de uma loja online? O termo e-commerce, de facto, significa uma forma de comércio baseada em transações feitas através da Internet. É um canal de venda, mas não só. É importante que esteja enquadrado numa estratégia de negócio.

A prova de que sem planeamento é mais provável de que não corra bem ficou visível quando algumas empresas, nestes três meses de pandemia, se depararam com falhas graves resultantes da falta de uma estratégia de Marketing. Exemplo disso são as falhas de stock ou os atrasos nos envios, como refere a CEO da plataforma Tudo Sobre eCommerce (TSE), Vera Maia, citada num artigo publicado pela Shopping Spirit. 
No mesmo artigo, Sónia Costa, consultora de Marketing Digital da TSE, alerta: “uma loja online é uma aposta estratégica, com cabeça, tronco e membros, e apenas a ponta do iceberg de uma operação de comércio eletrónico”. E continua:

Angariar bases de dados e entreter os consumidores, partilhando conteúdos relevantes e adequados à situação, deveria ter feito parte das prioridades dos gestores de ecommerce e de marketing digital portugueses.

Por outro lado, diz a especialista em Marketing Digital, verificou-se um reduzido contacto com o cliente, criando um vazio informativo que o impedia de acompanhar o estado das entregas. Se há casos em que os erros serviram de lição para o futuro, outros há em que o futuro do negócio pode mesmo ter ficado comprometido. 

Estas falhas mostram a importância de inserir as estratégias de e-commerce num processo de transformação digital que deve ser transversal a todo o negócio e que vai da digitalização e automatização de processos ao teletrabalho. 

Neste caminho, existem várias vantagens claras para quem opta pela transformação digital:

  • Contacto direto e relacionamento mais próximo com cada cliente;
  • Recolha de dados de analytics relevantes sobre o comportamento e os interesses dos utilizadores;
  • Análise inteligente dos dados para dar resposta às necessidades dos potenciais clientes.

Sendo evidentes os benefícios e tendo havido uma nova consciencialização para a importância da digitalização e do e-commerce, a verdade é que as empresas portuguesas ainda estão muito longe desta realidade, escreve Rogério Canhoto, Chief Business Officer da PHC Software no Jornal Económico.

Não será surpresa para ninguém se disser que 80% das empresas portuguesas não apostam no e-commerce. De facto, o nosso país ainda está longe de convergir com a média europeia nesta matéria, e sabe-se que, apesar de termos tido cada vez mais compras online nos últimos anos, menos de metade dos portugueses fazem [sic] compras online.

Como se isso não bastasse, acrescenta Rogério Canhoto, grande parte das compras online dos portugueses são realizadas em lojas fora de Portugal. Há uma grande margem para progredirmos e não é por falta de bons exemplos que não o fazemos, diz, apontando o caso de Luís Onofre, que registou um aumento de 60% das vendas depois de fazer a integração entre as lojas online e as lojas físicas. Conclui, por isso:

No que respeita ao e-commerce, a escolha das empresas não pode ser se apostam ou não na implementação deste canal de venda, mas sim se querem assegurar o seu futuro ou deixar que outros ocupem o seu espaço no mercado.

Como criar uma estratégia de e-commerce de sucesso

É importante avaliar vários pontos antes de lançar um projeto de e-commerce e conhecer os requisitos mínimos exigidos, alerta a TSE num artigo publicado no seu blog.

Pontos que deve ter em consideração antes de criar o seu projeto de e-commerce:

  1. Qual é o modelo de negócio?
  2. Qual é a cultura organizacional da empresa?
  3. Quais os serviços partilhados de que o projeto de e-commerce pode usufruir?
  4. Qual é o conhecimento interno para desenvolver e gerir um projeto de e-commerce?
  5. Onde é que a marca já possui notoriedade?
  6. Qual é o orçamento disponível?

Requisitos mínimos para fazer crescer e tornar sustentável um negócio de e-commerce:

  1. Equipa de gestão do projeto (da qual fazem parte o gestor de e-commerce, o web designer, o web marketer, o serviço de apoio ao cliente, o empregado de armazém, o gestor financeiro e o gestor de produto).
  2. Logística & Transportes.
  3. Métodos de pagamento.
  4. Parceiro tecnológico.
  5. Alojamento web da plataforma de e-commerce.
  6. Ferramentas de gestão de clientes e de contactos.

Tomada a decisão de criar uma loja online, há outros passos cruciais a dar, como a escolha da plataforma de vendas online que melhor se adequa ao projeto e a criação de uma audiência qualificada. Neste último caso, isso só será possível através de uma estratégia de conteúdos que…

  • responda às questões e necessidades de informação dos potenciais clientes; 
  • dê a conhecer a marca e o seu posicionamento de mercado;
  • trabalhe um conjunto de meios, como as redes sociais ou o Email Marketing, de forma que se possa gerar interesse e envolvimento.

Tipos de e-commerce

Os negócios de e-commerce podem distinguir-se consoante os produtos ou serviços que vendem, as partes envolvidas no negócio ou as plataformas utilizadas para gerir o processo.

Loja online de produtos físicos

Neste caso, falamos de negócios que vendem produtos físicos, como vestuário, calçado, equipamentos eletrónicos, entre muitos outros objetos que podemos comprar online. Geralmente, o processo de compra parte de uma pesquisa nos motores de busca por um determinado produto ou uma ida direta ao website da marca. Depois, a aquisição é efetuada online e a entrega é feita ao domicílio.

Basta pensarmos na Amazon para termos uma ideia da variedade de produtos que podemos comprar e que, facilmente, nos podem chegar a casa. No ranking das maiores marcas de e-commerce do mundo figuram ainda o eBay, o Etsy ou a Alibaba.

Loja online de produtos digitais

Se pensarmos nos cursos online − que têm sido muito procurados nesta fase de confinamento −, percebemos que, a par dos objetos, também compramos produtos digitais. Além dos cursos, podemos estar a falar de um ebook ou outros recursos digitais úteis. Para que a venda se concretize, basta preencher os formulários necessários e proceder ao pagamento eletrónico, passos que garantem o acesso digital ao produto adquirido. Quem não conhece a plataforma Coursera?

Loja online de serviços

Por outro lado, se procuramos e contratamos serviços através dos meios digitais, estamos a falar de um e-commerce de serviços. Podemos referir-nos a consultores ou freelancers de várias áreas − como um serviço de tradução ou design −, mas também do acesso a ferramentas digitais. Aqui, a venda online pode ser direta ou exigir um passo intermédio de aprovação ou avaliação das reais necessidades do cliente. A Zaask, uma plataforma de serviços freelance para empresas, é um exemplo deste tipo de e-commerce.

E-commerce B2B, B2C, C2C,…

Neste casos, está em causa a natureza das partes envolvidas na transação comercial, seja na venda de produtos físicos, produtos digitais ou serviços. Podemos estar a falar de uma relação comercial entre duas entidades empresariais, entre uma empresa e um cliente final ou até mesmo entre dois consumidores particulares, caso do OLX. Mas podemos estar também a referir-nos a transações em que estão envolvidas entidades públicas, por exemplo.

Todos estes tipos de e-commerce mostram que grande parte dos negócios, independentemente da sua natureza, podem criar a sua própria loja online. E se, como diz Miguel Mascarenhas, CEO da FIXANDO, num artigo de opinião publicado pela revista Exame, o grande passo do e-commerce em Portugal ainda está por dar, então esta pode ser a oportunidade certa para avançar. O artigo fala de uma reestruturação da forma de pensar o e-commerce português, da necessidade de fazer um investimento sério a médio prazo e de consolidar os negócios no mundo digital.
O repto está lançado: como é que o e-commerce pode fazer parte da sua estratégia de negócio?


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Blandina Costa
Conheça o autor / Blandina Costa

Editora e diretora-geral da Webtexto.