Web Summit 2017: Algumas lições para marketers

Web Summit 2017: Algumas lições para marketers

Que lições trouxemos da Web Summit de 2017? Foram muitas e impossíveis de colocar apenas num artigo que, apesar de longo, ainda deixa muito por dizer. Deixamos algumas pistas e ideias para poderem explorar, aprender e aplicar.

 

O poder do SEO

É indubitável que mais de metade do tráfego de um website provém do Google e grande parte desse tráfego continua a ser orgânico. Apenas menos de 3% provém de campanhas pagas. Além disso é surpreendente como o Google Images está a ganhar importância nas nossas pesquisas. Ao mostrar estes dados, Rand Fishkin, apelidado de Feiticeiro da Moz, revela o quão importante continua a ser o SEO.

Mas como fazer SEO quando o Google te apresenta resultados com base nas pesquisas que fizemos no passado? Como é que as marcas resolvem este dilema?

O Google passa a ser um motor de sugestões e, nesse caso, as marcas têm duas alternativas: ou começam a captar a atenção antes das pessoas começarem a fazer pesquisas relacionadas com o seu problema ou têm de competir quando eles já foram impactados por outros. Aqui é bem mais difícil e aqui reside o grande desafiou atual para o SEO.

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Um dos segredos para continuar a ser relevante em termos de SEO é o conteúdo. Este conteúdo tem de ser relevante, ter uma elevada qualidade e responder às intenções de pesquisa. Há mais, como por exemplo, as keywords, mas o melhor é seguir toda a apresentação.

 

 

As promissoras realidade aumentada e inteligência artificial

As marcas não têm como escapar a estas duas realidades: Inteligência Artificial e Realidade Aumentada. Este foi um tema em foco durante a Web Summit de 2017, mostrando que o mundo real está a transformar-se numa plataforma com a qual podemos interagir de formas muito diferentes. Isso criar enormes desafios, como mostrou Ambarish Mitra, CEO da Blippar, um sistema de realidade aumentada que usa a inteligência artificial e a visão computorizada para dar mais informações sobre o mundo que as pessoas têm à sua frente.

Durante a Web Summit apresentou um novo produto, a AR City.

Mostrando uma experiência real em que através de robots, mas também de realidade virtual, Martin Wild, Chied Digital Officer da Media Markt Saturn, mostrou como é possível criar novas experiências no retalho.

 

 

O incontornável mobile

Estamos num “mobile first world” e “o telemóvel tornou-se o controlo remoto da vida das pessoas”. Com estas palavras, Ron Amram, responsável global pela área de digital e media da Heineken, mostrou a importância incontornável do mobile. Os consumidores passaram a estar não só no controlo daquilo que consomem, mas também a consumir mais rápido. Estamos a processar informação de uma forma mais rápida e estamos a tomar decisões de uma forma mais rápida.

O desafio de criar conteúdo que tem de ser cada vez mais curto e que aos primeiros segundos consiga captar a atenção é grande dificuldade do trabalho das marcas e das agências.

É importante levar utilidade aos consumidores e disponibilizar serviços que aproximem as marcas das pessoas, mas é igualmente importante seguir quatro regras importantes:

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O encanto Phygital

Usar o digital para criar melhores experiências físicas, faz parte de uma estratégia Phygital. É isso que faz, por exemplo, a cadeia de hotéis Hilton. Ao desenvolver ferramentas digitais pretende que os seus clientes melhorem as experiências quando escolhem um dos seus mais de 5000 hotéis, em qualquer ponto do globo.

“Não há dúvida que, hoje, controlamos tudo na palma da mão, do pulso ou da voz, mas todos vivemos num mundo físico e em última instância damos valor às experiências”, frisou a CMO, Geraldine Calpin, numa das sua apresentações no Panda Conf.

 

 

A importância das APP

O sucesso digital de marcas como a companhia aérea low cost Ryanair e a cadeia de hotéis Hilton está associado ao desenvolvimento de aplicações que permitem personalizar e melhorar a experiência dos clientes.

A Ryanair mostrou vontade de assumir riscos há quatro anos com a ambição de se tornar na “Amazon das viagens”, como explicou Kenny Jacobs, CMO da Ryanair. A APP tem 26 milhões de utilizadores, sendo uma das maiores da Europa, e uma das funcionalidades que a companhia destaca é a possibilidade de, no final do voo, os clientes poderem avaliar várias componentes do serviço em tempo real. Isto para além de poderem fazer o check in ou ter o cartão de embarque no telemóvel.

No caso da Hilton, os clientes descarregam a APP e podem fazer o check in no dia anterior, ter acesso a uma chave digital para abrir a porta do quarto, podem marcar o seu quarto favorito (para poderem reservá-lo na próxima estadia), escolher os canais de TV que querem ter no quarto ou ter acesso ao mapa do hotel através de uma integração com o Google Maps.

 

O poder das comunidades

A Lego é um grande exemplo do poder das comunidades e das histórias que uma comunidade é capaz de produzir quando se sente envolvida.

“Sempre que produzimos um vídeo ou um conteúdo, os utilizadores estão a criar mais 20”, explicou Lars Silberbauer, diretor global de Social Media da Lego.

Um dos segredos da marca para o seu sucesso digital, disse Lars Silberbauer, foi não querer ser os melhores em social media, mas ser os melhores em adaptar-se, a prever e a criar mudanças no cenário digital. Imaginar e criar como se fossem crianças.

 

 

A supremacia da criatividade e da persuasão

A tecnologia abre oportunidades, mas é a criatividade que cria valor, como frisou John Hegarty um dos fundadores e diretor criativo da BBH & Whalar. Esta é uma ideia de base que é preciso não esquecer.

Nesse sentido, abrir as portas da criatividade à comunidade e às pessoas, num movimento que funciona na direção da base para o topo (caso do trabalho com influencers) traz diversidade, criatividade e autenticidade. Mesmo quando influencers trabalham com as marcas, deve haver um trabalho colaborativo. Ninguém mais do que os próprios conhece a sua base de seguidores e sabe como a melhor forma de comunicar.

Na base de todo o processo está a identidade e os valores da marca, porque “os princípios mantêm-se e táticas mudam” como frisou John Hegarty, acrescentando que antes da promoção tem de existir persuasão.

Blandina Costa
Conheça o autor / Blandina Costa

Editora e diretora-geral da Webtexto.