Virgínia Coutinho, Upload Lisboa: “O marketing digital é uma obrigação”

Virgínia Coutinho, Upload Lisboa: “O marketing digital é uma obrigação”

O universo digital invadiu definitivamente as nossas vidas. Moldou a maneira como interagimos uns com os outros, aprendemos, nos entretemos, nos expressamos e, claro, fazemos decisões de compra. O tabuleiro de jogo em que as organizações se movimentam é, cada vez mais, digital. Ora, é precisamente esta realidade em permanente mutação que serve de mote ao Upload Lisboa

 

O evento, que acontece no próximo dia 10 na Escola Superior de Comunicação Social, foi lançado pela primeira vez há dez anos. Depois de uma pausa nos últimos cinco anos, o Upload Lisboa regressa em força, com oito oradores internacionais e 500 participantes, reunidos para discutir o mundo do marketing digital. 

 

A edição deste ano debruça-se sobre as estratégias digitais como um todo, desde o momento da pesquisa, passando pelo trabalho criativo e desembocando na análise dos dados. Quem o refere é Virgínia Coutinho, fundadora do evento. À conversa com o Comteúdo, a Diretora-Geral da Lisbon Digital School afirmou que o Upload Lisboa procura, acima de tudo, combinar várias disciplinas e forças para que melhor se possa estudar as escolhas do consumidor sem esquecer as suas emoções.  

 

“Há muito tempo que o marketing deixou de ser percecionado como um mero custo, passando a ser visto como um investimento essencial na maior parte das empresas. As ferramentas digitais não são exceção!”

 

Qual foi o critério de escolha dos oradores? Porquê estes oradores internacionais?

Uma das máximas do Upload Lisboa é proporcionar aos participantes um painel de grande qualidade, com os mais experientes profissionais da área. Mais uma vez, esta edição cumpre esse objetivo. São personalidades envolvidas diariamente no que de melhor se pensa e produz em marketing digital, com uma longa experiência de trabalho em prestigiadas marcas e agências internacionais, prémios arrecadados, visão global de mercado. Ricardo Cappra, Rob Campbell, Martin Weigel, Hugo Veiga, Nils Leonard, Jez Jowett, Sebastiaan Moesman e Federico Martínez são nomes que ressoam na cabeça dos profissionais e entusiastas da área, são um exemplo a seguir. Para quem não os conhece, com certeza que ao lerem os seus currículos não vão querer perder a oportunidade de os ouvir e conhecer.

 

Quais os temas que vão estar em discussão e que mais gostaria de destacar?

A edição deste ano possui uma lógica temática sobre como impulsionar as estratégias digitais como um todo. Research, Thinking, Message, Medium e Data são as cinco etapas do ciclo estratégico que serão exploradas. Para tal, temos um elenco de oradores internacionais com muita experiência, exímios no que a estes temas diz respeito. Cada um destes passos é fundamental e influencia os resultados da implementação de um projeto e campanha. Como tal, não há nenhum que se possa destacar, mas sim a conjugação de todos eles.

 

Serão abordadas novas tendências, mas também questões mais científicas… por exemplo, Neurometrics, Biometrics & Psychometrics, mas não só. Por outro lado, há uma forte presença de oradores com perfil criativo. Porquê?

O objetivo é mesmo esse: combinar forças e disciplinas para melhor entender o consumidor e entregar uma mensagem relevante. Acreditamos que é necessário entender as emoções dos consumidores, o que desperta a sua curiosidade. Estes insights servem todas as etapas seguintes da estratégia digital, inclusive a da criatividade.

 

Que marca quer deixar no final desta reedição do Upload Lisboa?

Reforçar a imagem que o Upload Lisboa tem junto do público em geral, enquanto evento de referência em marketing digital em Portugal, bem como despertar nas pessoas o desejo de uma nova edição no ano seguinte, para que se possa celebrar dez e mais dez e mais dez anos de existência do evento. Acima de tudo, queremos que os participantes, oradores e restantes pessoas envolvidas cheguem ao fim do dia satisfeitos, com novos conhecimentos adquiridos, opiniões debatidas, e que reencontrem conhecidos e conheçam desconhecidos. 

 

Conte-nos um pouco do que foi o Upload Lisboa de há 10 anos e como surgiu a ideia. Na altura foram pioneiros?

Em 2009, terminei a minha licenciatura e tinha já um enorme interesse pelo marketing digital. No entanto, naquela altura, o acesso à informação era muito mais difícil: não focavam estas áreas nas licenciaturas, não havia pós-graduações na área… e assim surgiu a ideia de criar um evento em que se discutisse marketing digital. Desafiei três outras pessoas, duas das quais só conhecia através do Twitter, e surgiu o Upload 2.0 Meeting.

O evento foi organizado em três meses e reunimos mais de 250 profissionais e entusiastas da área na Casa do Artista.

 

Como compara a realidade do marketing digital dessa altura em Portugal e do marketing digital atual?

Portugal, apesar de ser um país de pequena dimensão – até para investimentos globais de marketing – tem ótimos profissionais que trazem novas formas de pensamento e tentam implementar as novidades do mercado. Ainda há muito para fazer, mas já temos um mercado mais maduro que procura todos os dias ser relevante para os seus consumidores.

 

As empresas ainda não perceberam que o marketing digital é incontornável ou já passaram essa fase, mas lutam com a margem financeira para apostar nesta área?

Quando falamos no tecido empresarial português, em que a grande maioria das empresas são micro, pequenas e médias, ainda existe um grande caminho a ser percorrido. Muitas destas empresas já identificaram que precisam de apostar nestas ferramentas, mas não sabem como… Por exemplo, recentemente foram divulgados os resultados de um estudo da Associação da Economia Digital, que constatavam que 60% das empresas portuguesas não têm um website ou uma página de Facebook. Estes são dados preocupantes e que demonstram a dificuldade de adaptação que tem existido no nosso mercado, apesar de todos os incentivos e das facilidades por parte de várias entidades.

Quando nos referimos a empresas de maior dimensão, o cenário é completamente distinto.

Há muito tempo que o marketing deixou de ser percecionado como um mero custo, passando a ser visto como um investimento essencial na maior parte das empresas. As ferramentas digitais não são exceção! Uma coisa é certa, se as empresas querem manter a relevância e interação com os consumidores, o marketing digital, mais do que uma necessidade, é uma obrigação.

 

Quais são os grandes desafios do marketing digital em Portugal?

Tal como referido anteriormente, um dos grandes desafios será incentivar e ajudar as PME a apostarem neste tipo de ferramentas, ajudá-las a serem mais competitivas, tanto no mercado nacional como no global.

Excluindo as empresas que ainda estão a descobrir esta área, as restantes passam por desafios comuns a vários mercados: obter eficácia, rentabilidade sem deixar de inovar e ser relevante para o cliente. A esta lista devemos juntar a escala, pois muitas vezes o nosso mercado, comparativamente a outros, não é prioritário em termos de budgets globais. Caso fosse, iria permitir testar e implementar outras soluções.

 

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Luís Eusébio
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Produtor e gestor de conteúdos da Webtexto.