O que nos dizem as estatísticas de e-commerce em Portugal?

O que nos dizem as estatísticas de e-commerce em Portugal?

Para podermos traçar estratégias e decidir que caminhos seguir, é fundamental perceber a realidade à nossa volta. Isto aplica-se a todas as áreas dentro de cada negócio, e o comércio eletrónico não é exceção. Apontado como crucial para o futuro dos negócios, é fundamental que as empresas entendam e analisem o que mostram as estatísticas de e-commerce em Portugal para, assim, tomar as melhores decisões. Que caminho temos ainda de percorrer? Quantos consumidores já optam por este meio? Qual o grau de maturidade do e-commerce no nosso país? 

Qual a penetração da Internet em Portugal?

Os números não enganam: cada vez mais pessoas têm acesso à Internet no nosso país. O portal Pordata tem registado este crescimento. Por exemplo, em 2018, 79,4% dos agregados familiares portugueses tinha ligação à Internet. Porém, este número ficava aquém da média europeia de 89%, de acordo com dados da Eurostat.

Em 2019, a percentagem de portugueses com acesso ao mundo digital atingiu 80,9%. Embora tenha havido um crescimento, este aumento de 1,5 pontos percentuais continuava distante da média europeia, que atingia os 90%.

A Internet em Portugal em 2019

Os consumidores nas estatísticas de e-commerce em Portugal

Os consumidores têm adotado de forma tímida esta forma de comércio. No entanto, não há dúvida de que há uma tendência de crescimento do e-commerce em Portugal, e que a situação de pandemia de COVID-19 neste ano acelerou este processo, tanto para consumidores como para empresas.

Quem compra online em Portugal?

Em 2018, as estatísticas de e-commerce em Portugal que constam tanto no relatório da Ecommerce Europe como no Estudo da Economia Digital em Portugal da ACEPI – Associação da Economia Digital indicavam que 49% dos internautas portugueses tinha feito compras eletrónicas e que a média europeia era de 69%. 

Quando olhamos para os dados das compras online tendo como base a população em geral, e não os utilizadores de Internet, as percentagens são naturalmente mais baixas. Desta forma, segundo o inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2018, 36,7% dos residentes em Portugal dos 16 aos 74 anos referiram ter efetuado compras através da Internet nos 12 meses anteriores à entrevista. No mesmo inquérito, podemos ver que aumentou para 38,7% a percentagem de residentes em Portugal na mesma faixa etária que utilizou lojas virtuais em 2019, como declara também um artigo do Observador. Mesmo assim, esta percentagem continua a ser muito inferior à da média da União Europeia, que regista 63%.

Os dados INE também revelam que, em 2019, destes 38,7%, a maioria dos compradores (71%) está na faixa etária dos 25 a 34 anos, que os homens compram mais do que as mulheres e que a população da Área Metropolitana de Lisboa lidera na percentagem das compras digitais.

A que países preferimos comprar online?

Em 2017, mais de 50% das compras realizadas online foram feitas fora de Portugal, indica o Estudo Anual da Economia e da Sociedade Digital em Portugal da ACEPI. No ano seguinte, este hábito continuou, com a China destacada na primeira posição nas estatísticas de e-commerce em Portugal, de acordo com o Estudo da Economia Digital em Portugal da ACEPI. O IPC cross-border e-commerce shopper survey também refere que, em 2019, a China se mantinha como o país de eleição para compras internacionais. Além disso, todos estes estudos indicam que os países europeus preferidos para compras eletrónicas são Espanha e Reino Unido.

O que compramos online?

A ACEPI, no Estudo Anual da Economia e da Sociedade Digital em Portugal de 2017, revela que, em 2016, os produtos que os portugueses mais compravam online eram artigos de moda e equipamento móvel e eletrónico. Ainda nesse ano, os serviços mais comprados eram jogos digitais, apps de telemóvel e software.

Dois anos mais tarde, os dados de e-commerce mostram que as prioridades tinham mudado. De acordo com o inquérito do INE e o Estudo da Economia Digital em Portugal da ACEPI, em 2018, os produtos preferidos eram artigos de moda, equipamento desportivo e artigos para a casa, e os serviços mais comprados eram de alojamento, bilhetes de transporte e bilhetes de entretenimento. 

Em 2019, a tendência parece não ter mudado muito, pelo que apura o relatório do INE. A “proporção de indivíduos com idade entre 16 e 74 anos que utilizaram comércio eletrónico para fins privados nos primeiros três meses do ano ou no ano anterior (%) por tipo de produtos encomendados através de comércio eletrónico” mantém como preferência as roupas e os equipamentos desportivos, seguido de viagens e alojamento e, em terceiro, bilhetes para espetáculos.

Pelos números que já foram apurados, prevê-se que as estatísticas de e-commerce em Portugal sofram várias alterações em 2020. Por exemplo, um artigo do jornal Expresso informa que houve um aumento de mais de 500% das pesquisas para compras online durante o mês de março, especialmente no setor alimentar. 

Também uma análise da SIBS mostra que, na primeira semana de junho deste ano, “a frequência de consumo no e-commerce atingiu o valor mais alto desde a primeira semana de março, logo após a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus em Portugal”, nas mesmas áreas. Além disso, a média diária de compras eletrónicas, nesta mesma semana, ultrapassou os valores pré-pandemia.

Qual o valor do comércio eletrónico Business to Consumer (B2C)?

Em 2017, segundo um relatório da ACEPI, o “volume das compras online realizadas pelos portugueses” ascendeu a 4,6 mil milhões de euros. Em 2018, houve um claro crescimento: as compras efetuadas pelos consumidores portugueses em websites de e-commerce atingiu 5,5 mil milhões de euros, de acordo com o CTT e-Commerce Report 2019, o portal Tudo sobre e-Commerce e o Estudo da Economia Digital em Portugal. Este último previa, na altura, que em 2025 o valor chegasse a 9,7 mil milhões de euros. 

Os consumidores nas estatísticas de e-commerce em Portugal

As empresas nas estatísticas de e-commerce em Portugal

Também a adesão das empresas nacionais aos meios digitais tem sido tímida. Contudo, em 2020, a pandemia de COVID-19 tornou o online numa necessidade para a sobrevivência de vários negócios e isso certamente está refletido nas estatísticas de e-commerce em Portugal.

Qual a percentagem de empresas portuguesas com website ou homepage?

De acordo com a informação disponível no portal Pordata, em 2019, o total de empresas portuguesas (com 10 e mais pessoas ao serviço) que tinha website ou homepage era de 59%. A média europeia é de 77%.

Entretanto, em 2020, as estatísticas de e-commerce em Portugal indicam que o processo de digitalização das empresas acelerou, havendo um artigo do jornal Expresso que menciona que o “registo de domínios .pt triplicou desde o início da crise provocada pela pandemia”.

Quantas empresas fizeram vendas eletrónicas?

Os dados da Eurostat referentes a 2017 indicavam que a percentagem de empresas portuguesas com vendas eletrónicas era de 19%, um número que ficava perto da média europeia de 20%. No ano seguinte, em 2018, os números não alteram muito: a percentagem de empresas portuguesas é de 17% e a média europeia mantém-se. 

Em 2020, já começamos a perceber que as estatísticas de e-commerce em Portugal irão sofrer alterações importantes até ao final do ano. A ACEPI indica num artigo que cresceu o número de empresas que, em março, aderiu ao pagamento por referência multibanco, de uma média de oito adesões diárias para 24, o que demonstra a “acentuada procura do ecommerce durante o surto de COVID-19”. Também André Teixeira, da Digitalks, apresenta alguns exemplos de entidades que tiveram de antecipar o lançamento das suas lojas online ou de as readaptar.

De forma que ajudasse a promover o comércio digital e a estabelecer a confiança dos consumidores, foi inclusive criado o “Selo Confio” por várias entidades: ACEPI, DECO – Defesa do Consumidor e Associação DNS.pt.

Qual o valor do comércio eletrónico Business to Business (B2B) e Business to Goverment (B2G) em Portugal?

No que toca ao volume de negócios efetuado eletronicamente pelas empresas (B2B) e pelo Estado (B2G), as estatísticas de e-commerce em Portugal mostram que, em 2017, a ACEPI tinha registado um total de cerca de 70 mil milhões de euros. Em 2018, as compras efetuadas pela administração pública e pelas empresas portuguesas chegou a 82 mil milhões de euros. 

É certo que a pandemia do novo coronavírus teve bastante peso no crescimento acentuado do comércio eletrónico este ano e que terá grande impacto nas estatísticas de e-commerce em Portugal. Há muito que se vê que esta tendência não irá abrandar, pelo contrário. As previsões são de que, em 2040, 95% das compras serão realizadas através de comércio eletrónico, segundo o website Ecommerce Guide. Por isso, continua a ser muito importante apostar nesta área: não há dúvida de que o futuro dos negócios está intrinsecamente ligado ao e-commerce.

As empresas nas estatísticas de e-commerce em Portugal

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Rosa Machado
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