Adriana Lima, da Google: “Para gerar conversões é preciso ter uma estratégia de notoriedade”

Adriana Lima, da Google: “Para gerar conversões é preciso ter uma estratégia de notoriedade”

Criar ou manter estratégias de notoriedade no contexto online para garantir a visibilidade da marca é crucial para as empresas que se queiram manter no top of mind dos seus consumidores. Essa é a convicção de Adriana Lima, gestora de desenvolvimento de negócio da Google. Exemplo disso é a Nike, que faz apostas constantes em estratégias de notoriedade para conseguir estar sempre presente na cabeça dos consumidores no momento da compra. Esta questão torna-se muito relevante no mundo digital quando percebemos que 85% dos 8,02 milhões de utilizadores de internet em Portugal já procuram online produtos ou serviços para comprar.

A chave para o sucesso das empresas que queiram vingar no digital está em oferecer boas experiências aos consumidores. “Sentimo-nos mais atraídos por sites limpos, que apresentem tudo bem organizado”, refere-nos Adriana Lima. A questão da usabilidade, da atratividade e da rapidez de carregamento torna-se, por isso, urgente, tendo em conta que 30% dos portugueses consideram pelo menos três marcas antes de procederem à compra.

“Antes de pensarmos nas tecnologias do futuro temos mesmo de garantir que este requisito básico é assegurado por todos os sites.”

A Webtexto falou com a gestora de desenvolvimento de negócio da Google durante o segundo dia do Expo Fórum Digitalks, onde foi palestrante. De forma descontraída, Adriana Lima explicou-nos a importância que os conteúdos envolventes podem ter na estratégia das empresas. Para isso, defende que é necessário dominar as ferramentas de storytelling nestes formatos cada vez mais rápidos.

 

30% dos portugueses consideram pelo menos três marcas antes de procederem à compra. Como é que, neste contexto, as empresas se podem diferenciar online?

A chave está em fornecer uma boa experiência no próprio website e na compra. Enquanto utilizadores sabemos bem a diferença. Sentimo-nos mais atraídos por sites limpos, que apresentem tudo bem organizado. Algumas empresas vão ao limite de colocar um banner gigantesco com uma promoção e não se vê mais nada. E eu posso nem estar interessada na promoção, posso querer procurar por outras coisas. Toda a experiência no website conta: desde o tempo de carregamento das páginas aos métodos de compra, passando pela informação disponibilizada em relação às entregas e ao suporte ao cliente, por exemplo. A atenção a todas estas dimensões vai permitir que nos consigamos diferenciar do ponto de vista da experiência.

 

Qual o impacto das páginas AMP no processo de venda?

Tem um impacto impressionante. Como nos referem os dados, 53% das pessoas abandonam uma página Web que demore mais do que três segundos a carregar. E é normal que assim seja. Na agitação do nosso dia a dia não temos paciência para esperar pelo carregamento de uma página. Antes de pensarmos nas tecnologias do futuro temos mesmo de garantir que este requisito básico é assegurado por todos os sites.

 

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As marcas portuguesas estão atentas a essa preocupação?

Muitas delas sim. Mas há muitas marcas tradicionais que têm funcionado muito bem no canal offline e que estão agora a perceber como funciona o canal digital. Até porque a mudança está aí. Aquilo que funcionava há uns anos deixará de funcionar dentro de um par de anos, se é que isso já não aconteceu. As marcas portuguesas estão conscientes do desafio. Agora é preciso começar a dar os primeiros passos.

 

Há empresas que procuram passar de imediato para o processo de conversão antes de passarem pelo processo de conquista de notoriedade. Essa tendência ainda é muito visível?

Ainda é muito, sim. É muito comum falar com clientes que me dizem que só querem conversões. Mas como é que podemos gerar conversões se a visibilidade da marca está atrás de todos os concorrentes? É importante ter uma estratégia de awareness. Esse trabalho é crucial, até para marcas com muita notoriedade. A Nike, por exemplo, faz muito branding, ainda que não precise. Quando olhamos para o fluxo do consumidor percebemos que as pessoas consideram sempre outras alternativas. É importante estar lá nesse momento.

 

Quais são as melhores ferramentas para criar notoriedade para uma marca?

Tenho de destacar o Youtube, que está a criar formatos cada vez mais direcionados para a performance, e não apenas para o branding. Podemos ter um anúncio no Youtube com uma call to action para levar as pessoas diretamente para o nosso website. Essa junção entre branding e performance poderá ter um impacto interessante.

 

É muito importante que as empresas saibam medir o impacto que a sua comunicação tem no mercado?

É de extrema importância. Se não soubermos medir como podemos saber o que estamos a fazer? É preciso perceber o que é realmente uma conversão ou uma lead, por exemplo. Não vale a pena implementar uma estratégia se não percebermos como quantificar os resultados que estamos a ter.

 

Uma empresa que queira começar agora a fazer campanhas online deve estar atenta a que métricas?

O lifetime value dos clientes, qual a margem de progressão que os produtos têm, entender muito bem quais os produtos que são estrelas e qual a estratégia a adotar: continuar a apostar nos produtos-estrela ou tentar desenvolver os produtos que não têm tanta visibilidade? E, depois, é essencial olhar para as métricas tradicionais de Marketing, como o Click Through Rate, o Conversion Rate ou o CPA.

 

Como é que a criação de conteúdos pode ser importante no processo de fortalecimento da notoriedade?

O conteúdo é muito importante. Não vale a pena fazer um anúncio no Youtube ou ter um banner no Display se não for algo chamativo. É preciso dominar as ferramentas do storytelling nestes formatos cada vez mais rápidos. No Youtube, a marca tem de aparecer logo e em seis segundos temos de passar uma mensagem rápida, que fique no top of mind. O mesmo se aplica a banners, imagens, artigos. Quanto mais envolventes forem, melhor.

 

 

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Bruno Santos
Conheça o autor / Bruno Santos

Produtor e gestor de conteúdos da Webtexto.